o jogo vai começar.
o dado está lançado, o baralho baralhado. os nervos à flor da pele, aquele teu ar de misteriosa e cruel. silêncio. o ponteiro barulhento do relógio antigo continua a fazer "tic-tac", e eu espero ansiosamente por uma hora que nem eu sei qual é. de repente, uma ligeira brisa agride a minha cara; é ele que está a chegar. atrasado, como sempre. irrita-me a maneira mesquinha como ele insiste em fazer tudo mal apenas para te agradar, e irrita-me a maneira como realmente o consegue.
começamos. eu ganho a primeira ronda, a segunda, a terceira. tu e ele começam a trocar segredos, sobre o facto de provavelmente eu ter viciado as cartas para o meu lado. e eu? eu penso "quem me dera poder viciar o teu jogo e não este, que não custa ganhar".. farto-me. 'não me apetece jogar mais..' digo. ambos se surpreendem, afinal como é que alguém que está a ganhar consegue mostrar-se tão chateado? nem eu compreendo.
sorte ao jogo, azar ao amor? não. o amor é o jogo de sorte/azar mais jogado pela população mundial, e eu que ganhei a noite de poker, não tive a sorte de te ganhar a ti. ainda..
na noite seguinte, o jogo recomeça. eu entro, e a primeira coisa que te digo é 'hoje, não vou jogar poker. tenho outro jogo mais importante para ganhar..' beijo-te como se te entregasse através dos meus lábios toda a força que tenho em mim, e de seguida vou-me embora.
no fim da noite lês uma mensagem minha 'espero que ganhes muitas vezes no poker, porque a minha jogada de hoje fez com que todo o meu jogo acabasse, e o teu? o teu jogo recomeça todas as noites. amo-te (..)'

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